quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ADERNOU!

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre
SEM NOME

MAR DE VAN GOGH


Vincent Van Gogh - "The Sea at Les Saintes Maries de la Mer" ,1888. Oil on canvas, 51 X 64 cm. Van Gogh Museum, Amsterdam, Netherlands

SANGUE QUENTE

Termorregulação

Baleias, golfinhos, focas e outros mamíferos marinhos podem gerar o próprio calor e manter uma temperatura corporal estável, apesar das condições ambientais variáveis. Assim como as pessoas, eles são homeotérmicos endotérmicos ─ ou seja, são animais “de sangue quente”. Mas esses mamíferos são especialistas em termorregulação: suportam temperaturas na água, que chegam a 2º C negativos e temperaturas do ar de 40º C negativos.

Uma das maneiras eficientes de realizar a termorregulação é manter-se por alguns momentos com a boca aberta absorvento raios solares.

TURISMO EMBARGADO

Foto: Paulo Flores / Divulgação

Tribunal Regional Federal suspende turismo embarcado de observação de baleias

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), responsável pelos processos no Sul do Brasil, manteve a suspensão do turismo embarcado de observação de baleias em Santa Catarina. A decisão leva em conta a sentença de dezembro de 2015, da 1ª Vara Federal de Laguna, em que foi mantida a interrupção das atividades até que o Instituto Chico Mendes (ICMBio) aplicasse as medidas de fiscalização.

A decisão desta terça-feira no TRF4 não leva em conta o julgamento de 9 de agosto, na 1ª Vara Federal de Laguna, que liberou o turismo embarcado com base no plano de fiscalização apresentado pelo ICMBio. Por ser de instância menor, a decisão de Laguna deve ser revista e o turismo embarcado segue suspenso.


O turismo embarcado de observação de baleias está suspenso em Santa Catarina desde maio de 2013, por ação doInstituto Sea Shepherd Brasil que apontou irregularidades, riscos aos turistas e molestamento dos animais. Coube ao ICMBio formular um plano de fiscalização, que não foi reconhecido pelo TRF4.

— Ficou demonstrado o estado de risco às baleias-francas e à comunidade, ainda mais diante das informações da falta de estudos de viabilidade, de plano de manejo e de estrutura técnica para a fiscalização convencional da atividade de turismo de observação de baleias — diz o relator do processo e desembargador federal Fernando Quadros da Silva.

Ainda segundo o desembargador, ¿há a necessidade de proteção irrestrita, com medidas efetivas para a fiscalização, com estudos de viabilidade, de plano de manejo e do licenciamento da atividade¿. Dessa forma a atividade de observação segue restrita por terra.

O ICMBio e o Sea Shepherd só deverão se manifestar sobre o assunto na quarta-feira, após analisarem melhor a decisão.


Impasse começou há quatro anos

2012
> O Instituto Sea Shepherd protocolou denúncia contra o turismo embarcado de observação de baleias. A juíza responsável pelo caso, Daniela Tocchetto Cavalheiro, entendeu que existiam falhas de gestão e proibiu esse tipo de turismo em Garopaba, Imbituba e Laguna. Para reverter a decisão foi exigido estudo de impacto ambiental. O ICMBio, responsável pela proteção da baleia-franca, declarou que o levantamento levaria pelo menos quatro anos.

2013
> A APA tentou reverter a decisão, mas a medida foi analisada duas vezes no Tribunal Regional Federal (TRF) e a decisão de suspensão foi mantida.

2014
> Em maio, a primeira audiência de conciliação reuniu ICMBio, Marinha do Brasil, Polícia Ambiental, Sea Shepherd e Ministério Público.

2015
> Em dezembro, o juiz Rafael Selau Carmona, da 1ª Vara Federal de Laguna, sentenciou que o turismo poderia ser retomado mediante a elaboração e implementação de plano de fiscalização que contemple a inspeção in loco e ostensiva das atividades nas embarcações durante as saídas.

2016
>Em maio, o ICMBio concluiu o Plano de Normatização, Fiscalização e Controle da Atividade de Turismo Embarcado de Baleias (Tobe). O material foi analisado pelas operadoras de turismo, prefeituras, órgãos ambientais e demais envolvidos e protocolado em Porto Alegre no dia 17/5 e em Laguna no dia 24.
> No dia 21 de junho, o Sea Shepherd protocolou pontos de discordância sobre partes do plano apresentado. O ICMBio então fez novas adequações e protocolou novo parecer sobre a proposta, em que mais uma vez se manifesta contra a liberação.

> No dia 8 de agosto, o Ministério Público Federal deu parecer sobre o caso atrelando a realização do turismo embarcado ao rigoroso cumprimento das regras apresentadas no Plano de Fiscalização.
> No dia 9 de agosto, o juiz Rafael Selau Carmona, da 1º Vara Federal de Laguna, aprova o Plano de Fiscalização e liberação do Turismo Embarcado de Observação de Baleias.

> No dia 30 de agosto, o Tribunal Federal Regional, em Porto Alegre, julga as apelações do processo de dezembro de 2015 e mantém a decisão daquela data pela suspensão do turismo embarcado de observação de baleias.

(Do www.clicrbs.com.br)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

MORTE NO MAR

Animal estava com pedaço de rede de pesca preso à caudaFoto: Divulgação / R3Animal

Filhote de baleia jubarte é encontrado morto da praia da Joaquina, em Florianópolis
Animal tem 7,6 metros e deve ser enterrado no local

Uma baleia jubarte foi encontrada morta na praia da Joaquina na manhã desta segunda-feira, em Florianópolis. Esse é o segundo caso atendido na Ilha de Santa Catarina pelo Instituto R3 Animal nesta temporada. Após a necrópsia, o animal será enterrado na praia.

Trata-se de um filhote, com 7,6 metros. No domingo, o corpo do animal tinha sido avistado boiando próximo à Ilha do Campeche. Segundo Cristiane, o enterro do animal segue as medidas sanitárias para evitar contaminação e ocorre no lugar mais seco possível da praia.

— Com certeza ela morreu há mais de um dia. Ela está com um pedaço de rede de pesca preso à cauda. Mas só os exames podem comprovar a real causa de morte — explica veterinária Cristiane Kolesnikovas, da R3 Animal.

Os encalhes de baleia jubarte não eram comuns no litoral catarinense, mas se tornaram mais frequentes desde o ano passado. Pesquisadores acreditam que o aumento da população do animal e a influência do El Niño podem ser as causas da presença da espécie, comumente encontrada no Sudeste e Nordeste, mais ao sul do Brasil.

Na última segunda-feira, dia 22, outra baleia jubarte havia sido encontrada em Florianópolis, na na Praia do Moçambique. Foi o primeiro caso de encalhe desta espécie registrado na Ilha de Santa Catarina neste ano. 

(Do www.clicrbs.com.br)

MANEMÓRIAS

Na Joaquina, no tempo em que "todo surfista era maconheiro!"

TARDE INDO...

Foto Fernando Alexandre

...Noite sendo

AVISO AOS NÁUFRAGOS

 
  Foto Dico Kremer

Esta página, por exemplo,
não nasceu para ser lida.
Nasceu para ser pálida,
um mero plágio da Ilíada,
alguma coisa que cala,
folha que volta pro galho,
muito depois de caída.

Nasceu para ser praia,
quem sabe Andrômeda, Antártida
Himalaia, sílaba sentida,
nasceu para ser última
a que não nasceu ainda.

Palavras trazidas de longe
pelas águas do Nilo,
um dia, esta pagina, papiro,
vai ter que ser traduzida,
para o símbolo, para o sânscrito,
para todos os dialetos da Índia,
vai ter que dizer bom-dia
ao que só se diz ao pé do ouvido,
vai ter que ser a brusca pedra
onde alguém deixou cair o vidro.
Não e assim que é a vida?

(Paulo Leminski)

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

SEM PEIXE

Falta de registro como entreposto impede que comerciantes comprem produto direto de pescadores
Foto Felipe Carneiro / Diário Catarinense

Peixarias do Mercado Público de Florianópolis de portas fechadas nesta segunda-feira 
Impasse sobre regularização das 13 peixarias como entreposto comercial, possibilitando a compra direta com os pescadores, motiva protesto dos comerciantes


O tradicional cheiro de peixe não apareceu na manhã desta segunda-feira no Mercado Público de Florianópolis. As 13 peixarias estão fechadas por falta de reconhecimento como entreposto pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), o que permitiria aos comerciantes adquirir mercadorias dos pequenos produtores, de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

A partir desta segunda-feira, os donos de peixarias só podem comprar peixe direto de pescadores se o estabelecimento estiver registrado como entreposto. Caso contrário, só poderá adquirir a mercadoria de um estabelecimento que tenha o título. Os peixeiros do Mercado Público reclamam que isso prejudica a qualidade do produto vendido. A alteração foi determinada pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE) na reabertura do Mercado Público em agosto de 2015, quando estabeleceu que o município deveria instalar o Serviço de Inspeção Municipal e reafirmar a continuidade desses estabelecimentos enquanto entrepostos. O prazo expirou no começo do ano, sendo prorrogado pela Cidasc por seis meses, encerrados domingo. 

— Houve um período para se adaptarem, mas isso não aconteceu. Acreditamos que isso não muda o comércio, apenas que o produto não chega direto do pescador, mas de outros estabelecimentos. Várias peixarias da cidade fazem isso - afirmou osecretário municipal da Pesca, Maricultura e Agricultura, William Costa Nunes, em entrevista ao telejornal Bom Dia SC
As 13 peixarias do Mercado Público de Florianópolis não abriram as portas nesta segunda-feira Foto: Felipe Carneiro / Diário Catarinense

O gerente de articulação da CDL, Hélio Leite, é o representante dos peixeiros. Ele também falou concedeu entrevista ao Bom Dia SC e citou que os comerciantes já entraram com um pedido na Justiça para poder comprar peixe direto dos pescadores:

— Não entendemos a negativa da prefeitura em prosseguir com o serviço de inspeção. Vamos tentar entender o escopo dessa situação. Esses entrepostos são fundamentais para o bom funcionamento das peixarias. Por enquanto, não há prazo para as 13 peixarias do Mercado Público reabrirem. Nós entramos no sábado como mandado de segurança para obter uma licença.

(Do www.clicrbs.com.br)

MAR AFORA...


Disco do compositor e violonista Guinga em parceria com a cantora portuguesa Maria João, gravado em Osnabrück, Alemanha, no fim de julho de 2015.

MAR DO ORLANDO AZEVEDO

Foto, óbvio, do Orlando Azevedo!

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

domingo, 28 de agosto de 2016

O CAMARÃO DE CARMEM MIRANDA


Foto Tocumfome Pereira 
Ensopadinho com chuchu
Camarão ensopado com chuchu é um prato que faz parte das mesas de quase todo o litoral brasileiro.
Cantado em versos por Carmem Miranda.
Um clássico da culinária praieira!


Ingredientes
500 gramas de camarões médios descascados, limpos, lavados e escorridos.
Sal e  Pimenta do reino
2 colheres (sopa) de salsa
1 colher de manjericão ou alfavaca picada
2 colheres (sopa) de manteiga ou azeite
1 cebola média picada
4 dentes de alho picados
2 tomates grandes picados
2 chuchus médios cortados em cubinhos

Preparando
Salgue os camarões e acrescente uma pitada de pimenta do reino. Aqueça uma panela, coloque a manteiga, junte a cebola, o alho e doure levemente. Acrescente os tomates e os chuchus. Reduza o fogo para brando, tampe a panela e cozinhe mexendo de vez em quando, até os chuchus ficarem macios, mas não desfeitos. Acrescente os camarões e cozinhe-os de três a cinco minutos. Desligue o fogo, acrescente a salsa e o manjericão. Sirva com arroz branco acompanhado de farinha de mandioca.

OBEDECER JAMAIS!

Desobediência canina!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

MAR DE POETA


O MAR
Antes que o sonho (ou o terror) tecesse
Mitologias e cosmogonias,
Antes que o tempo se cunhasse em dias,
O mar, sempre mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é aquele violento
E antigo ser que rói os pilares
Da terra e é um e muitos mares
E abismo e resplendor e acaso e vento?
Quem o olha o vê pela primeira vez.
Sempre. Com o assombro que as coisas
Elementares deixam, as charmosas
tardes, a lua, ou fogo de uma fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Isso saberei
No dia seguinte da minha agonia.
Jorge Luis Borges
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

MAR DO PAULO GOETH


Asas em baixa velocidade!


DE VOLTA AO ACONCHEGO!

Pinguins voltam à natureza

Fortes, bem alimentados e loucos para voltar ao mar. Assim estavam os onze pinguins devolvidos à natureza nesta quarta-feira, 24, na Praia do Moçambique, em Florianópolis. Os animais estavam no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), no Parque do Rio Vermelho, há cerca de 45 dias. O trabalho de reabilitação é feito pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma), ONG R3 Animal e Polícia Militar Ambiental. 

Os pinguins-de-magalhães são originários da Argentina e do Chile e com a chegada do inverno no Hemisfério Sul deslocam-se por águas brasileiras em busca de alimentos. Os que chegam às praias catarinenses geralmente estão debilitados pela viagem ou doentes. Após serem recolhidos, são tratados e quando adquirem cerca de 3,5 kg, são libertados em grupo. “Pela primeira vez no País, os pinguins estão recebendo microchip, em vez da anilha, aquela argola amarela que era colocada na asa. Isso dá mais conforto ao animal e também guarda os dados de quando foi atendido aqui no Rio Vermelho”, conta a veterinária e gestora da R3 Animal, Cristiane Kolesnikovas.

Em média, por ano, o Cetas recebe cerca de 50 pinguins. “Esse trabalho é o cumprimento da missão da Fatma e uma parceria entre os órgãos e a comunidade nos cuidados dos nossos bichos e dos que vem de longe”, explica o diretor de Proteção de Ecosssistemas da Fatma, Rogério Rodrigues.

Preservação e educação

O Centro de Triagem do Parque do Rio Vermelho recebe cerca de 2,5 mil animais silvestres por ano vítimas de tráfico ou maus-tratos. Além de abrigar e tratar os animais, o local disponibiliza uma trilha ecológica usada para educação ambiental. “Os visitantes aprendem que o animal silvestre não é brinquedo e que é nocivo retirá-lo do habitat natural. Todo o trabalho executado no local é um exemplo de responsabilidade com o meio ambiente e uma forma de ensinar respeito a todas as espécies”, afirma o presidente da Fatma, Alexandre Waltrick. Como o objetivo do tratamento dos pinguins é devolvê-los à natureza, os animais não estão à disposição do público.

(Do http://www.fatma.sc.gov.br/)

MAR DE BALEIAS

Resultado de imagem para Caçando baleias paraíba

Ruínas contam história cruel 

Durante 75 anos, companhia de pesca caçou mais de 22 mil baleias no Litoral da Paraíba. Vestígios da matança estão em Costinha. 

por VALÉRIA SINÉSIO

As ruínas que resistem à ação do tempo, em Costinha, no município de Lucena, guardam uma história que poucos paraibanos conhecem: a da caça das baleias. Durante quase 75 anos, o local sediou uma das mais importantes empresas de caça de baleias do século 20, a Companhia de Pesca Norte do Brasil. Os historiadores estimam que em Costinha mais de 22 mil baleias foram mortas, sujando o mar com o vermelho do sangue dos animais, em uma luta desigual entre o homem e a natureza.

A visita à antiga base de pesca de baleias na beira-mar de Costinha representa uma viagem amarga ao tempo, mais precisamente ao ano de 1911, quando o empresário Julius von Söhsten decidiu investir no ramo. Um forte motivo para a escolha de Costinha se deu porque era lá que várias baleias se concentravam anualmente entre junho e dezembro para o acasalamento. As principais espécies encontradas eram jubarte, espadarte, bryde, cachaclotes, minke-austrais e baleias-fin. A caça das baleias foi proibida no Brasil no ano de 1985, através da Lei Gastone.

O que hoje é um enorme terreno abandonado foi, por muitas décadas, palco do esquartejamento de baleias, que depois de caçadas eram arrastadas até a plataforma de corte, onde dezenas de homens tinham a missão de retirar toda a carne existente. Havia também uma arquibancada, para a qual a companhia vendia ingressos aos interessados em acompanhar o processo, conforme lembrou Romilson Costa, presidente do Instituto do Meio Ambiente e Ações Sociais de Costinha (Imaas).

Ele contou que as lembranças do corte da baleia ainda estão presentes em sua memória. Nos últimos anos de funcionamento da companhia (que veio a fechar em 1985 com a proibição da caça no país), Romilson ainda era um menino, que vendia picolé e pastel para os trabalhadores do local.

“Lembro bem daquele tempo. Era muita movimentação, todos queriam ver como acontecia o corte da baleia”, afirmou.

Os arpões e correntes enferrujados, utilizados para matar e puxar os animais, estão guardados na sede da Imaas. Após o fechamento da companhia, em 2000, o local passou a funcionar como um parque temático, chamado Baleia Magic Park, virando atração de final de semana para as famílias que visitavam Costinha. Em seguida foi acrescentada uma pousada. Mas o parque veio a fechar no ano de 2005.

Sem manutenção e abandonado à própria sorte, o local se deteriorou rapidamente ao longo dos últimos anos, embora ainda preserve uma baleia de cimento, que chama a atenção de quem se atreve a entrar, guinchos e outros vestígios do negócio baleeiro que ali se firmou. Onde antes eram as piscinas, hoje são depósitos de água suja e parada. A vegetação toma conta de parte considerável do terreno, no qual se recomenda não entrar desacompanhado.

Há dois meses famílias sem-teto invadiram o antigo estaleiro. A luta da Imaas é pela reativação do local como museu. “Estamos em um processo de recolhimento de fotografias e ossos de baleias que estão em poder de moradores da comunidade.

Nosso intuito é reunir o máximo possível de material para preservar e mostrar a história que se passou em Costinha.

Mesmo cruel, é história, e deve ser preservada”, declarou.

A ONG vai entrar com um pedido de tombamento da área no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep-PB). A Imaas enfrenta uma queda de braço com os proprietários do terreno, que aceitaram doar o acervo existente, mas pretendem fazer um estaleiro no local, segundo explicou Romilson.

Pesca como negócio rentável

O historiador William Edmundson, um dos autores do livro ‘A História da Caça de Baleias no Brasil: de peixe real à iguaria portuguesa’ (Disal editora, 2014, R$ 49,00), conhece como poucos a história que se passou entre os anos de 1911 a 1985 em Costinha. Segundo ele, uma das vantagens da instalação da estação baleeira naquele local foi o fato de que a praia era afastada da área residencial “onde os odores causados pelo processamento das carcaças da baleia e os resíduos industriais teriam tornado essa iniciativa bastante mal recebida”.

Em sua obra, Edmundson destaca a fase moderna da caça da baleia, com o uso do canhão arpão e do navio a vapor. Diferente da era colonial, quando se utilizavam barcos a remo e arpão manual. “O empresário Julius percebeu a presença de baleias naquela área e viu aquilo como uma grande oportunidade de negócio”, frisou. Julius von Söhsten se afastou do negócio em 1929, data na qual a companhia passou para as mãos dos sócios dele (Mendes Lima & Companhia) e posteriormente a empresários noruegueses e por fim japoneses. Foi no ano de 1957 que a companhia passa a ser chamada de Copesbra. 
De acordo com o historiador, na fase mais recente, com os japoneses, a caça das baleias se dava a cerca de 30 quilômetros de Costinha. O interesse principal era pelo óleo de baleia e a carne para a fabricação de charque. No depósito abandonado ainda é possível encontrar a inscrição ‘câmara de estocagem’, local onde a carne era armazenada. Edmundson disse que dez técnicos do Japão estiveram em Costinha para demonstrar a técnica de corte da baleia, que tinha de ser feito em no máximo 33 horas. Depois de aplicada a técnica, o corte da baleia se dava em apenas 20 minutos.

Iguarias congeladas eram exportadas para o Japão, onde a carne de baleia era muito cobiçada, segundo o historiador. Nas décadas de 70 e 80, o estoque de baleia estava sendo muito explorado em outras regiões do mundo, enquanto em Costinha ainda era abundante. Moradores da comunidade eram contemplados com pequenos cortes da carne de baleia, que não eram nobres como os destinados à exportação. Para torná-la mais apetitosa acrescentavam sal, conforme informou Edmundson. Na comunidade, essas pessoas eram chamadas de urubus.

Matança foi considerada 'atração turística'

Durante a caça das baleias, Costinha foi um local de constante visitação turística, conforme explicou William Edmundson, sobretudo entre os anos de 1972 e 1981. “Muitas pessoas foram para Costinha com o objetivo de presenciar a chegada dos navios com as baleias abatidas. Não resta dúvida que foi um dos maiores focos de turismo na Paraíba”, explicou Edmundson.

Ele citou um fato curioso de um grupo de São Paulo que fretou um avião para participar do ‘evento’, mas que não teve como fazer pouso em João Pessoa, o que só foi possível em Recife. Os turistas, então, passaram a noite toda viajando até chegar a Costinha. Como por vingança da natureza, exatamente nesse dia nenhuma baleia foi capturada e o grupo voltou para casa desapontado – mesmo quando deveria estar feliz.

Segundo o historiador, o que aconteceu em Costinha contribuiu muito para o risco de extinção das baleias no Brasil. Depois de quase 30 anos de proibição, o estoque da baleia-jubarte está se recuperando. “Estima-se que hoje existam cerca de 17 mil baleias dessa espécie, o que representa quase 70% da população original”, declarou. Em relação à espécie franca, que nunca foi vista na Paraíba, mas foi muito explorada no Sul e Sudeste do país, a recuperação é bem mais lenta, conforme explicou o historiador. “Hoje temos mais ou menos 500 indivíduos dessa espécie na costa brasileira”, frisou.

A obra de William Edmundson, que há oito anos escolheu João Pessoa para morar, e Ian Hart conta essa história da caça de baleias em Costinha com riqueza de detalhes. Os autores trazem, por exemplo, informações a respeito da captura de baleias e produção de óleo em Costinha e apontam para 68 baleias e 3,3 mil barris de óleo no ano de 1916. Contam ainda sobre a produção de farinha a partir da carne e do osso da baleia.

O livro traz o resultado de uma investigação minuciosa sobre como aconteceu a caça dos mamíferos em Costinha, pontuando, inclusive, as possíveis interrupções no negócio baleeiro durante a Segunda Guerra Mundial. Com a obra em mãos, o leitor tem a oportunidade de conhecer também a história da caça das baleias no país e os principais tratados e acordos para o fim da atividade.

Sobre a época que a caça ficou com os japoneses, os autores contam que uma das metas principais era melhorar a qualidade dos produtos saindo da fábrica. Segundo os autores, “a baleia era dividida basicamente em duas partes: o toucinho e a carne, ambos levados a um lado da plataforma de corte, e os ossos, pele com gordura, vísceras e a cabeça para outro lado”. O livro é considerado o mais abrangente sobre a história da caça de baleias no Brasil. O autor vai fazer uma noite de autógrafos na Livraria Leitura (Manaíra Shopping) no próximo dia 5, no horário das 17h às 19h.

(Do http://www.jornaldaparaiba.com.br/noticia/139254_ruinas-contam-historia-cruel)

MANEMÓRIAS

Foto Amnésio Perpétuo

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

TARDE INDO, NOITE SENDO

Foto Fernando Alexandre

BALEIAS DO FUTURO

É preciso dar asas à imaginação para projetar o mundo daqui a 100 anos. Para as mentes de 100 anos atrás talvez fosse ainda mais difícil, já que naquele tempo não existiam tecnologias que hoje fazem parte de nossa vida cotidiana. Isso fica bem evidente com a descoberta de uma coleção de desenhos futuristas de grande valor histórico de Jean-Marc Côté, entre outros artistas franceses, realizados entre 1899 e 1910, sob o título “França no ano 2000”.

BALEIAS DE ONTEM!

Na praia da Gamboa -  Garopaba -  e no Rio das Pacas - na Ilha - SC - Brasil 
Ontem, 23.08.2016

GENTE DO MAR - LÁ E CÁ!

O filme, produzido por jovens caiçaras do município de Cananéia- SP, evidencia importantes aspectos da cultura caiçara com um olhar crítico e motivador. Faz um registro do diálogo entre gerações que contam como as mudanças socioambientais, culturais e econômicas afetaram e afetam os modos de vida dessa população tradicional, além de mostrar as adaptações que as comunidades desenvolveram para manter vivo e presente os saberes e fazeres caiçaras.

DE SOSLAIO E PARA TRÁS...

Foto Fernando Alexandre


MAR DE PICASSO

"Duas Mulheres Correndo na Praia" - Pablo Picasso - 1922 - Reprodução

2,9 MILHÕES DE BALEIAS jÁ FORAM MORTAS!


VAMOS RECUPERAR AS POPULAÇÕES DE BALEIAS DO ATLÂNTICO SUL!

Você sabia? Durante o século XX cerca de 2.9 milhões de baleias foram mortas em todo o mundo o que constitui o a maior caça em termos de biomassa, levando a diminuição dos estoques de baleias em todos os oceanos. Aproximadamente 71% das baleias caçadas no mundo foram mortas no hemisfério sul. Baleias fin, cachalote, azul, jubarte, sei, franca e minke foram de longe as espécies mais caçadas no Oceano Austral (Atlântico Sul e a Antártida).

Para manter ou aumentar os níveis dos estoques das diferentes espécies de baleias que ocorrem na região, o Brasil, a Argentina, a África do Sul, o Uruguai e o Gabão estão propondo a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul.

Essa medida visa mitigar ameaças identificadas para essas populações de baleias bem como para outras ameaças potenciais. O Santuário também pretende estimular a pesquisa não-letal e não-extrativa coordenada na região, especialmente pelos países em desenvolvimento. Para ser criado é preciso que ele seja aprovado pela Comissão Internacional Baleeira (CIB ou IWC), composta atualmente por 80 países.

Você também pode ajudar a criar o Santuário: basta aderir à nossa campanha e divulgar essa iniciativa em suas redes com a hashtag #SantuarioEuApoio. A sua mobilização vai colaborar para recuperar as populações de baleias do Atlântico Sul. Participe!

APOIADORES DA CAMPANHA

terça-feira, 23 de agosto de 2016

BAHIA BALEIA




(Guilherme Mansur, da série Bahia Baleia, do site www.cronopios.com.br )
 

Guilherme Mansur é poeta e tipógrafo. Publicou HAICAVALÍGRAFOS, BANDEIRAS - TERRITÓRIOS IMAGINÁRIOS, BENÉ BLAKE, BARROCOBEAT, BICHOS TIPOGRÁFICOS e GATIMANHAS & FELINURAS (em parceria com Haroldo de Campos). Vive e trabalha em Ouro Preto, Minas Gerais. E-mail: guimamba@gmail.com

EMPROADA

Foto Fernando Alexandre

RECICLANDO SABORES DO MAR

Foto: Mathias Netto

Existem alimentos que a gente prepara em grandes quantidades para aproveitar as sobras durante a correria da semana. Este, definitivamente, não é o caso dos peixes. Quem já reaqueceu sobras de peixe no microondas sabe do que estou falando. Mas isto não quer dizer que peixes são casos de uma noite só, cujos vestígios devem ser apagados na manhã seguinte. É possível aproveitar sobras de peixe de várias maneiras, mas é preciso seguir algumas regras. A primeira é não tentar reviver o prato que passou. Sobras de peixe devem ser transformadas, e num prazo máximo de dois dias após o primeiro cozimento.

A forma mais prática de separar a carne e os espinhos de um peixe assado é fazer isso logo após o final da refeição. Fazer isso depois que o peixe tiver ido para a geladeira é um suplício. Quanto mais cedo você fizer isso, mais fácil será. Atenção com os espinhos. O segundo grande truque é ter muito cuidado ao reaquecer. Esqueça microondas e frigideiras muito quentes. Isso só resseca o peixe. O reaquecimento deve ser breve e suave. O melhor é tirar a geladeira e deixar chegar em temperatura ambiente antes de usar. Para incrementar o macarrão, misture a massa e o molho antes, e só depois adicione o peixe. O mesmo vale para a sopa - adicione o peixe nos minutos finais e mexa muito pouco. Para bolinhos, junte maionese, ovos, panko e ervas de sua escolha. Depois é só fritar. Para um patê, misture com iogurte, nata, queijo cottage, ervas, suco de limão ou vinagre, sal e pimenta (receita da foto - Blog Food52). Sirva sobre pão como aperitivo. Ou então experimente a receita abaixo (que vale para tainhas, anchovas, corvinas, etc):


PÃO DE TAINHA COM SEMENTE DE AROEIRA

Misture 2 xícaras de farinha, 1 colher de fermento em pó e 1 colher de chá de sal. Reserve. Bata 3 ovos, 1/3 de xícara de leite e 1/3 de xícara de azeite de oliva. Coloque coentro e salsinha picados, e semente de aroeira (pimenta rosa). Coloque a mistura de ovos sobre a mistura de farinha e mexa somente até combinar. Coloque duas xícaras de sobras de peixe e mexa delicadamente até incorporar. Coloque a mistura numa forma de pão untada com manteiga. Enfeite com mais sementes de aroeira. Asse em forno a 180 graus. Sirva com um fio de azeite de oliva e salada.

http://www.observasc.net.br/

Fonte: Food52

TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS PERANTE A ....

Foto Alcides Dutra
  Todos os homens são iguais perante a Lua 
(Manoel de Barros)

MAR DO NEGO MIRANDA

Foto Nego Miranda

Antonina


O SILÊNCIO DAS BALEIAS

Foto BBC

Cientistas que pesquisam as baleias-de-bico-de-Blainville concluíram que esses mamíferos ficam em silêncio em águas rasas para evitar o ataque de predadores.


A pesquisa, publicada na revista científica "Marine Mammal Science", é uma das primeiras a registrar a comunicação entre essas baleias.

Os pesquisadores também gravaram sons produzidos por elas quando nadavam em regiões profundas do oceano, onde costumam viver.

A espécie Mesoplodon densirostris se reúne em grupos pequenos que não ultrapassam dez indivíduos. Além do bico característico, ela possui dentes, alcança até cinco metros de comprimento e pesa, quando adulta, cerca de 800 kg.

Tímidos e discretos, os cetáceos evitam embarcações, o que dificulta seu estudo e lhes dá um caráter enigmático.

ESCUTA

A pesquisadora Natacha Aguilar, da Universidade de La Laguna, em Tenerife (Espanha), e seus colegas da Woods Hole Oceanographic Institution, em Massachusetts (EUA), e da Universidade Aarhus, na Dinamarca, conectaram dispositivos de escuta em oito baleias-de-bico-de-Blainville.

Os animais foram monitorados durante 102 horas. Os aparelhos gravaram sons produzidos pelas baleias quando vinham à tona para respirar ou nadavam próximo da superfície e quando os mamíferos mergulhavam em profundidades de até 900 metros.

Os resultados mostram que a espécie fica silenciosa ao nadar a profundidades perto dos 170 metros.

As baleias também permanecem silenciosas quando estão subindo à tona após seus mergulhos, uma jornada que pode levar até 19 minutos.

A equipe acredita que este comportamento tenha a função de evitar que as baleias sejam detectadas por seu predador, as temidas orcas (Orcinus orca), conhecidas como "baleias assassinas".

As orcas tendem a circular em águas rasas e se alimentam de várias espécies de baleias. Ao se "esconder" dessa maneira, a baleia-de-bico-de-Blainville adotaria uma estratégia efetiva de evitar sua predadora, já que a espécie não é capaz de nadar mais rápido do que a orca e não possui outras defesas contra ela.

Ainda assim, o comportamento surpreendeu os cientistas, que imaginavam que os animais continuariam em contato para manter seus vínculos sociais, especialmente porque tendem a nadar em grupos coesos.

"Para um grupo que vive em sociedades tão coesas e coordena suas atividades, ficar em silêncio perto da superfície é um comportamento inesperado que contrasta bastante com o de outras baleias", afirmaram os pesquisadores em seu artigo.

SONS

Quando nadavam a mais de 450 metros de profundidade, as baleias emitiam diversos tipos de sons que permitiam não apenas que se comunicassem, mas se orientar no espaço e localizar suas presas, afirma a pesquisa.

Segundo os cientistas, alguns dos sons registrados, que eles descrevem como apitos e uma série de sons estridentes, nunca haviam sido gravados antes.

A equipe acredita que os sons em série tenham o papel de coordenar os movimentos dos membros do grupo à medida que se dispersa no final do mergulho, para caçar. 

(Da BBC Brasil)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O PADRE, A CRUZ E O MAR


A história da Cruz do Padre

Entre a praia do Campeche e a Joaquina existe uma cruz que até pouco tempo atrás era de madeira e que foi substituída por uma de concreto, fincada em cima das dunas, que se encontra nos fundos da Igreja de Pedra do Rio Tavares, e marca a denominada Picada da Cruz do Padre.

No dia 26 de dezembro de 1961, um dia após o natal, o padre Alfredo Dullius estava passeando na chácara dos padres do Colégio Catarinense onde hoje se encontra a Igreja mencionada acima. Naquela manhã ensolarada o padre resolveu, juntamente com um grupo de *frateres ( seminaristas jesuítas), tomar banho de mar. Seu primeiro mergulho foi fatal. O mar estava muito revolto e o padre caiu em uma corrente de repuxo não conseguindo mais tomar pé. Os frateres Santini e Sewald tentaram salvá-lo, mas quase foram vítimas do mesmo destino. O padre acenava em desespero pedindo por socorro, mas não restava mais nada a fazer, a não ser rezar.

Alguns frateres tomaram o caminhão da congregação, dirigindo-se a base aérea em busca de ajuda. Deslocou-se um avião de treinamento militar que localizou o corpo boiando a uma distância de aproximadamente um quilômetro da costa. Os pescadores do Campeche foram acionados e a canoa da família Rafael, conseguiu boiar (passar a arrebentação) e sair com muita dificuldade partindo em direção ao corpo. O mar continuava muito revolto não sendo possível erguer o corpo do padre para dentro da embarcação. O mesmo foi amarrado com uma corda e arrastado até o pico da praia do Campeche, denominado de Pontal, único lugar possível de entrada e saída de embarcação. Isso já era sete e meia da noite, pois o resgate, devido a distância e as condições adversas do mar, levou mais de três horas. A praia estava lotada, pois a notícia se espalhara pela cidade através das rádios.

Padre Alfredo Dullius era muito querido. Exercia a função de professor do Colégio Catarinense nos últimos três anos e ainda era capelão auxiliar da Escola de Aprendizes Marinheiros no Estreito.

Foi sepultado com honras militares. Este gaucho, da cidade de Bom Jardim, havia completado naquele ano dez anos de sacerdócio. Morreu jovem com apenas 45 anos de idade. Naquele mesmo ano os marinheiros, alunos do colégio catarinense e muita gente da comunidade fincaram a cruz no local de sua morte, homenageando assim o Padre Alfredo Dullius.

Quando criança/adolescente ouvia os pescadores comentarem que tinham medo de passar na picada da cruz, pois o fantasma do padre aparecia. Coisas do folclore ilhéu.

Duas curiosidades: Os pescadores relatam que quando resgataram o corpo, o padre estava com as mãos postas ao peito, em uma atitude de oração. Outra curiosidade é que o Padre em nenhum momento teve o corpo submerso. O mesmo boiou o tempo todo e numa crendice popular acreditavam que tal fenômeno se deu por tratar-se de um padre, “homem de Deus”.

( *Frateres deriva do latim que em português significa irmãos ).
Se vivo fosse o padre Alfredo Dullius completaria 100 anos em 02/06/2016
Sua morte completará cinquenta e cinco anos em 26/12/2016.

Hugo Adriano Daniel Professor/Historiador

(Via TV Vento Sul)

DIZEM QUE...


ROTEIRO


quanto me arrependo
não ter conduzido
com mão forte e firme
o leme as rédeas

o tempo não para
o vento prossegue
esparrama os sonhos
e as folhas secas

e é por orgulho
talvez covardia
que vagueio solta
barco à deriva